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Terremotos deixam 10 mil prédios inutilizados na Venezuela

Especialistas apontam que tremores provocaram desabamentos verticais severos devido a falhas estruturais

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La Guaira, Venezuela, 13 de julho de 2026, Associated Press (AP) — Uma equipe de especialistas internacionais revelou que os dois massivos terremotos que atingiram a Venezuela no mês passado provocaram o desabamento quase vertical de uma grande quantidade de edifícios, um fenômeno estrutural conhecido mundialmente como “colapso em panqueca”. As estimativas preliminares apontam que cerca de 10 mil prédios foram completamente inutilizados em decorrência dos abalos.

Os esforços das equipes de resgate para localizar sobreviventes e pessoas desaparecidas continuam intensos, mesmo após mais de duas semanas do desastre ocorrido em 24 de junho. Os relatórios oficiais atualizados pelas autoridades locais indicam que 4.333 mortes foram formalmente confirmadas até o sábado (11).

A fragilidade das colunas de sustentação e o solo macio da costa aceleraram os desabamentos verticais.

Investigações de campo realizadas na região costeira de Catia La Mar, no estado de La Guaira — epicentro da destruição —, detalham que os fortes tremores sequenciais destruíram os pilares de sustentação das edificações. A falta de barras de aço de reforço na maioria das colunas, somada às características de solo macio típicas de áreas litorâneas, propiciou a ocorrência dos colapsos verticais. A estimativa de 10 mil prédios destruídos ou severamente danificados representa aproximadamente 13% do total de imóveis de La Guaira, um número significativamente superior aos balanços divulgados previamente pelo governo venezuelano.

Além das estruturas condenadas, os engenheiros calculam que entre 30 mil e 50 mil edificações necessitam de reparos urgentes devido ao surgimento de rachaduras profundas ou aberturas em suas alvenarias. A missão técnica internacional atua no país sul-americano prestando assistência direta humanitária e técnica.

Lideranças avaliam o desastre como um dos mais devastadores das últimas duas décadas no mundo.

Na quinta-feira (9), relatórios preliminares sobre a extensão dos danos foram apresentados formalmente à presidente interina, Delcy Rodríguez. As análises técnicas enquadram os sismos de 24 de junho como um dos eventos mais catastróficos dos últimos 20 anos, traçando paralelos diretos com o trágico terremoto de 2008 na província de Sichuan, na China, e a sequência de tremores severos que devastaram o sul da Turquia e a Síria no ano de 2023. Especialistas reforçam que compreender a dimensão real do desastre, incluindo o estado das estruturas e o volume de escombros, é vital para o plano de reconstrução, indicando que experiências anteriores com grandes abalos, como o de Kobe no Japão em 1995, servirão de base para guiar os trabalhos.

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