Konan, Shiga, Japão, 13 de julho de 2026 – Vivaldo José Breternitz (*) – Surgiu na China um novo mercado: o de aluguel de smart glasses, os óculos inteligentes, aqueles dotados de inteligência artificial.
A maior parte da clientela é composta por estudantes, que os utilizam para a velha prática da “cola”: com os óculos, os estudantes escaneiam as provas e transmitem-nas para comparsas que resolvem as questões e informam as respostas, também através dos óculos.
Mas há também usos lícitos, como é o caso de viajantes que usam os óculos como tradutores em viagens ao exterior, como relata o portal TechSpot.
O mercado está em expansão: no Xianyu, um grande marketplace de itens usados, o aluguel de óculos de IA é anunciado por valores entre cerca de R$ 30 e 60 por dia; o empreendedor Ke Changsi, sediado em Shenzhen, afirma ter alugado modelos das marcas Rokid e Quark para mais de mil pessoas nos últimos quatro meses.
Em postagens no Xiaohongshu (plataforma semelhante ao Instagram), Changsi destaca como os óculos podem resolver questões de inglês e matemática com o auxílio de um controle remoto discreto que se assemelha a um anel.
Apesar proibição desses óculos nas escolas, a fiscalização é ineficiente. Como os óculos inteligentes muitas vezes se parecem com óculos comuns, a detecção por parte dos professores é difícil.
Algumas universidades estão testando os limites da tecnologia. Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong demonstraram recentemente a facilidade de integração desses dispositivos com ferramentas como ChatGPT, Gemini e outras.
Konan, Shiga, Japão, 14 Ao conectar óculos Rokid ao ChatGPT 5.2, um aluno participante do estudo ficou entre os cinco melhores em teste com mais de 100 alunos – e o estudante não se preparou para a prova que fazia parte do estudo. Zili Meng, professor envolvido na pesquisa, afirmou que sua equipe está desenvolvendo sistemas para ajudar educadores a detectar os dispositivos, evitando a “cola”.
O interesse não se restringe à academia. O mercado doméstico chinês para dispositivos vestíveis com IA está em rápida expansão. De acordo com a consultoria IDC, 2,5 milhões de unidades foram vendidas em 2025, representando 16,7% das vendas globais.
Contudo, barreiras técnicas ainda impedem a adoção em massa dos óculos inteligentes. Os dispositivos costumam ser pesados, esquentam com facilidade e possuem bateria de curta duração.
À medida que os dispositivos são aperfeiçoados, discussões acerca de ética e privacidade tornam-se mais frequentes, mas na competitiva cultura acadêmica da China, seu apelo como “companheiro secreto de estudos” não dá sinais de diminuir.
(*) Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – vjnitz@gmail.com.
- Estudantes chineses usam smart glasses para “colar” - 13 de julho de 2026 8:00 am
- Um novo símbolo de status: o notebook semiaberto - 6 de julho de 2026 8:00 am

















(*) Vivaldo José Breternitz, Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor, consultor e diretor do Fórum Brasileiro de Internet das Coisas – vjnitz@gmail.com.




