Washington, Distrito de Colúmbia, Estados Unidos, 27 de abril de 2026, Bloomberg – O mercado global de energia enfrenta um momento decisivo ao completar quatro semanas de conflito no Irã. Especialistas indicam que o setor atingiu um “ponto de ruptura” onde a interrupção do tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz começa a exaurir as medidas paliativas adotadas por potências ocidentais. Com a paralisação total do fluxo na região, o déficit de oferta ameaça elevar estruturalmente os preços do barril de Brent para o restante do ano.
Dados recentes mostram que a produção paralisada na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque e Bahrein atingiu a marca de 10,98 milhões de barris por dia (b/d). O Iraque lidera as perdas com 3,6 milhões b/d, seguido pela Arábia Saudita com 3,05 milhões b/d. Embora os sauditas tenham maximizado o uso do gasoduto Leste-Oeste para exportar cerca de 4 milhões b/d pelo Mar Vermelho, a medida é insuficiente para compensar o bloqueio total em Ormuz.
“Mesmo que a guerra termine amanhã, levará meses para que a produção retorne aos níveis normais e o tráfego marítimo seja restabelecido. O mercado está operando no limite da margem de segurança”, alertam analistas do setor.
A liberação coordenada de 400 milhões de barris das Reservas Estratégicas de Petróleo (SPR) pela Agência Internacional de Energia (IEA) evitou um pico catastrófico imediato, mas o efeito é temporário. Projeções indicam que, se o conflito persistir até o final de abril, o impacto nos inventários globais será de um déficit de 370 milhões de barris, o que poderia empurrar o Brent para a faixa de US$ 110 a US$ 120 por barril.
Até o momento, a ausência de pânico generalizado deve-se à combinação de alívio de sanções sobre o petróleo iraniano e russo por parte da administração de Donald Trump e à utilização das reservas estratégicas. No entanto, o otimismo do mercado de que a crise se resolveria até meados de abril está sendo testado. Sem um cessar-fogo imediato, o próximo passo seria o “destruição da demanda”, onde os preços atingiriam níveis superiores a US$ 200 para forçar o equilíbrio.
“O Irã parece consciente da matemática do mercado. A estratégia pode ser aguardar o ponto de ruptura em meados de abril para extrair o máximo de concessões dos Estados Unidos”, observam estrategistas geopolíticos.
No longo prazo, o impacto pode ser ainda mais severo. Estimativas indicam que a perda total de suprimentos para o mercado pode somar 930 milhões de barris até o final do ano. Países como Kuwait e Iraque enfrentam dificuldades técnicas que podem levar de três a quatro meses para normalizar a extração após o fim das hostilidades. Assim, os investidores devem se preparar para preços de energia estruturalmente mais altos, independentemente de uma trégua ocorrer neste domingo (26) ou nas semanas seguintes.
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