Taipei, Taiwan, 5 de junho de 2026, Yonhap News — Sob chuva, moradores de Taiwan participaram de uma vigília em Taipei para marcar os 37 anos da repressão violenta aos protestos pró-democracia na Praça da Paz Celestial, em Pequim, em 1989. O evento reforçou críticas à censura e ao controle histórico exercido pelo governo chinês.
A cerimônia, realizada anualmente em 4 de junho, contrasta com a proibição de homenagens semelhantes na China continental e em Hong Kong, onde manifestações e até recordações simbólicas do episódio são reprimidas.
“Poder lembrar abertamente este episódio mostra o valor da democracia em Taiwan”, afirmou Wu Renhua, ex-participante dos protestos que viveu no exílio.
Durante o ato, luzes em formato de velas foram organizadas para formar o número 8964, em referência à data do massacre. Os participantes também fizeram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas e em defesa dos valores democráticos.
O evento também serviu como crítica direta à tentativa do governo chinês de reescrever ou suprimir a memória do ocorrido. Há décadas, Pequim classifica os protestos como um “tumulto” e mantém rígido controle sobre qualquer informação relacionada ao episódio.
“Não quero ser silenciado. A liberdade que temos aqui precisa ser protegida”, disse um estudante universitário de 23 anos presente na vigília.
Analistas apontam que a repressão à memória de Tiananmen faz parte de uma estratégia mais ampla do governo chinês para eliminar narrativas que desafiem sua autoridade. A censura sistemática e a ausência de debate público sobre o tema levantam preocupações internacionais sobre direitos humanos e liberdade de expressão.
Em contraste, Taiwan tem se consolidado como um espaço de preservação histórica e resistência simbólica, mantendo viva a lembrança de um dos episódios mais sensíveis e controversos da história contemporânea chinesa.
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