Manila, Filipinas, 7 de julho de 2026, Philippine News Agency (PNA) — O Senado das Filipinas abriu oficialmente o julgamento de impeachment contra a vice-presidente do país, Sara Duterte. Caso venha a ser condenada ao término do processo, a política poderá sofrer duras sanções institucionais, incluindo a proibição legal de concorrer à próxima eleição presidencial programada para o ano de 2028.
A ré, que é filha do ex-presidente Rodrigo Duterte, enfrenta graves acusações formais envolvendo o uso indevido e desvio de fundos públicos. Além disso, ela responde pela alegação de ter proferido ameaças de morte contra a vida do atual presidente da República, Ferdinand Marcos Jr. Sara Duterte nega veementemente todas as acusações apresentadas. O envio do caso ao Senado ocorreu após a Câmara dos Representantes aprovar os artigos definitivos para a cassação no mês de maio.
A vice-presidente optou por não comparecer ao Senado na última segunda-feira (6), data marcada pelo início dos procedimentos, enquanto manifestantes contrários ao seu governo entravam em confronto com as forças policiais do lado fora do parlamento.
A expectativa do Judiciário e do Legislativo é de que o julgamento estenda-se por um período superior a 90 dias. Para que o impeachment seja de fato consolidado, é necessária a obtenção do voto favorável de dois terços dos 24 senadores que compõem a Casa. Se essa maioria qualificada for atingida, Duterte será imediatamente destituída do cargo de vice-presidente e poderá ficar permanentemente desqualificada para o exercício de qualquer função pública.
O ambiente no Senado filipino já vinha operando sob forte instabilidade política desde o início deste ano, quando o Tribunal Penal Internacional (TPI) tornou público um mandado de prisão internacional contra o senador Ronald dela Rosa. O parlamentar em questão atuou como chefe da polícia nacional durante a administração de Rodrigo Duterte e liderou a violenta campanha nacional de combate às drogas promovida pelo antigo regime. Dela Rosa passou a ser considerado foragido logo após a divulgação da ordem de captura.
Horas antes do início programado para o julgamento, outro senador aliado ao grupo político de Duterte foi detido sob suspeita de envolvimento em esquemas de corrupção.
A prisão gerou forte impacto nos bastidores do parlamento, uma vez que o senador detido estava escalado para atuar diretamente como um dos juízes no processo de impeachment da vice-presidente. Os desdobramentos policiais e as deserções no corpo legislativo aprofundam a crise institucional no país, redesenhando as alianças e o equilíbrio de forças políticas na região em meio a um dos processos de cassação mais vigiados da história recente das Filipinas.
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