Konan, província de Shiga, Japão, 3 de julho de 2026, Radio Shiga — A música popular brasileira será o fio condutor de uma importante celebração de intercâmbio cultural no Japão. A próxima edição do programa O Sul em Cima, conduzida pelo apresentador Marcio Celli, trará uma seleção especial que destaca a riqueza da ancestralidade e da arte contemporânea do Brasil, reforçando os laços históricos de amizade entre as duas nações.
O projeto ganha um significado ainda maior devido ao acordo de irmandade existente entre a província de Shiga e o estado do Rio Grande do Sul. Essa união institucional serve há décadas como base sólida para promover o conhecimento mútuo e a difusão de manifestações artísticas brasileiras em solo japonês. A transmissão ocorrerá pela Radio Shiga Japan na próxima quinta-feira (9), às 20h00 no horário de Tóquio (8h00 no horário de Brasilia), sob a direção de Kleiton Ramil, produção de Mariuza Kineuchi e montagem de Eduardo Beda.
O primeiro grande destaque do programa é o álbum “Pelos Olhos do Mar”, uma parceria inédita entre Lia de Itamaracá, símbolo vivo da cultura pernambucana, e a cantora baiana Daúde. O trabalho une de forma magistral a força da tradição com a vanguarda urbana, abordando temas universais como o feminino, a negritude e a coletividade em dez faixas com ritmos que vão do bolero à ciranda. Entre as canções apresentadas estão “As Negras”, de Chico César, e “Santo Antônio da Boa Fortuna”, de autismo do rapper Emicida.
Este projeto une força ancestral e modernidade através das vozes vibrantes de duas mulheres que representam a cultura popular, celebrando a resistência e a tradição.
A região amazônica também estará representada com o lançamento do primeiro EP da artista indígena Carol Pedroso, intitulado “Eu canto minha força, meu lugar”. Natural de Santarém, no Pará, a cantora e escritora utiliza sua obra como um manifesto socioambiental e de afirmação de suas raízes. O trabalho conta com a direção musical de Manoel Cordeiro e traz as colaborações especiais de Dona Onete e Lia Sophia, em canções marcantes como “Força Feminina” e “Carimbó da Beca”.
Para fechar a programação, o público japonês conhecerá o trabalho do grupo Suraras do Tapajós, formado em 2018 em Alter do Chão por mulheres indígenas do povo Borari. O conjunto faz história como o primeiro grupo de carimbó composto exclusivamente por mulheres indígenas no Brasil. Cantando em português e em nheengatu — língua nativa cujo termo “Suraras” se traduz como “guerreira” —, elas trazem faixas potentes como “Da Nascente à Foz”, que denuncia o avanço do garimpo ilegal na Amazônia.
O projeto musical traduz a trajetória inspirada na ancestralidade, na força das mulheres e na resistência dos povos da floresta como instrumento de transformação.
Com essa fusão de ritmos e mensagens de resistência, a atração promete aproximar ainda mais os ouvintes residentes no Japão das discussões sociais e da pluralidade que definem a identidade musical do Brasil na atualidade.
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