Tóquio, Tóquio, Japão, 25 de junho de 2026, NHK — Os partidos que integram a coalizão governista do Japão apresentaram formalmente suas propostas à primeira-ministra Takaichi Sanae para a atualização dos três principais documentos de segurança nacional do país. As recomendações dão forte ênfase à necessidade de responder às novas formas de guerra, com foco especial no uso de inteligência artificial (IA) e veículos aéreos não tripulados, conhecidos popularmente como drones. Membros da comissão de pesquisa de segurança do Partido Liberal Democrata (PLD) e de seu parceiro de coalizão, o Partido da Inovação do Japão (PIJ), compareceram ao gabinete oficial na quarta-feira (24) para entregar as respectivas diretrizes.
O Executivo japonês trabalha com a meta de revisar toda a sua Estratégia de Segurança Nacional ainda este ano. No documento entregue pelo PLD, argumenta-se que o Japão precisa fortalecer fundamentalmente suas capacidades operacionais de defesa para se adequar aos conflitos modernos. A proposta defende que o país assegure condições para manter combates por períodos prolongados, que variam de um a múltiplos anos, além de promover a fabricação em massa e a introdução doméstica de variados modelos de drones. O texto evitou estipular uma meta numérica rígida para os gastos com defesa, sugerindo que o Japão transforme suas forças em até cinco anos com o orçamento necessário, citando como exemplo o patamar de nações da OTAN, que concordaram em elevar os gastos militares para ao menos 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
“A proposta do Partido da Inovação do Japão defende a introdução de submarinos de propulsão nuclear e a revisão da estratégia de armas no país.”
A recomendação do PIJ também apoia o uso em larga escala de IA e o fortalecimento da base industrial de defesa. Contudo, a sigla foi além ao argumentar que a estratégia nuclear nacional precisa ser totalmente reestruturada. O partido pede uma consideração realista a respeito do princípio de não permitir a entrada de armas nucleares no território, que compõe os Três Princípios Não Nucleares vigentes no Japão. Diante dos documentos, a primeira-ministra Takaichi Sanae afirmou que o governo levará as propostas totalmente em consideração antes do início da fase crítica de deliberações. O governo analisará o tamanho do orçamento e as fontes de financiamento com o auxílio de um painel de especialistas para concluir as revisões até o fim de dezembro.
Por outro lado, os movimentos políticos causaram forte reação na sociedade civil. Um sobrevivente da bomba atômica expressou profunda preocupação com o teor militar das propostas. Tanaka Terumi, copresidente da Nihon Hidankyo — organização que representa as vítimas dos bombardeios nucleares de Hiroshima e Nagasaki —, manifestou seus receios em uma entrevista coletiva realizada de forma virtual.
“Tanaka afirmou sentir um forte senso de crise, observando que o país parece estar caminhando em direção a um estado de preparação para a guerra.”
O ativista relembrou que os sobreviventes das bombas atômicas historicamente mantêm a postura intransigente de que os armamentos nucleares jamais devem ser utilizados ou sequer existir, defendendo inclusive a transformação dos Três Princípios Não Nucleares em leis definitivas. Tanaka classificou como perigosa e aterrorizante a tentativa de políticos de alterar a essência da norma que proíbe armas nucleares em solo japonês, e concluiu afirmando que as lideranças políticas deveriam estudar com seriedade o contexto histórico que originou a criação de tais salvaguardas pacifistas no país.
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