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Governo brasileiro suspende vacina contra dengue do Butantan

Investigação de reações adversas sem prazo definido gera desconfiança; Butantan defende segurança da vacina e critica atrasos

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Brasília, Distrito Federal, Brasil, 9 de junho de 2026, CNN Brasil – O Ministério da Saúde confirmou a suspensão da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, em um movimento que expõe a contradição entre a aprovação inicial da Anvisa e a atual falta de prazos para a investigação de reações adversas. Enquanto a pasta alega seguir protocolos de segurança, a ausência de um cronograma claro para a apuração levanta preocupações sobre a eficiência da gestão e a priorização da saúde pública.

Representantes do ministério, em coletiva de imprensa, afirmaram que o órgão tem cobrado agilidade nas análises, mas ressaltou que o processo segue os protocolos de farmacovigilância do SUS. O número exato de cidades que receberam a vacina durante a campanha, segundo o ministério, ainda estava sendo levantado e não foi divulgado. De janeiro a 30 de maio deste ano, foram aplicadas 501.044 doses, sendo a maioria em profissionais da atenção primária e em estratégicas ampliadas de vacinação em Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Araguaína (TO).

O Instituto Butantan defende a segurança e eficácia da vacina, que teve aprovação da Anvisa em março do ano passado, e afirma que fornecerá todas as informações solicitadas. No entanto, a suspensão e a falta de prazo para a investigação ecoam a postura crítica do atual governo em relação a outras vacinas e a recusa em utilizar imunizantes já comprovados, como o japonês, em favor de desenvolvimentos internos que se mostram problemáticos.

O sistema de farmacovigilância identificou 3.703 notificações de sintomas semelhantes aos da dengue após a vacinação (0,7% dos vacinados), com 42 casos apresentando sinais de alerta. Três casos graves chamaram a atenção: uma mulher de 39 anos com quadro compatível com dengue grave e necessidade de UTI (alta recebida); uma mulher de 48 anos com sintomas de dengue grave e meningoencefalite, que faleceu; e um homem de 58 anos com dengue grave e choque refratário, que também morreu. Os casos graves ocorreram em profissionais de saúde vacinados em outras localidades, não nas cidades com vacinação em massa.

Apesar de o Ministério da Saúde afirmar que ainda não é possível comprovar a relação causal entre a vacina e os eventos adversos, a suspensão preventiva e a falta de um cronograma para a investigação geram desconfiança. O governo, que outrora atacava quem questionava vacinas contra a COVID-19, agora se vê em meio a um novo dilema com a vacina da dengue, cujos atrasos e a recusa em adotar soluções já existentes minam a confiança na ciência e na gestão pública.

A vacina contra a dengue atualmente oferecida pelo SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos não é afetada pela suspensão, que se restringe ao imunizante do Butantan. A orientação para quem já recebeu a vacina do Butantan é ficar atento a sintomas de agravamento e procurar atendimento médico. O Instituto Butantan reafirmou seu compromisso com a ciência, a saúde pública e a entrega de produtos seguros e eficazes para o SUS.

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