Tóquio, Japão, 19 de maio de 2026, Kyodo News – A diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala, emitiu um alerta contundente nesta terça-feira (19) sobre o estado atual das trocas internacionais. Segundo a líder da organização, o sistema comercial global está enfrentando suas maiores interrupções nos últimos 80 anos, fruto de uma combinação de tensões geopolíticas e da falta de modernização das regras vigentes.
Durante uma entrevista concedida em Tóquio na segunda-feira (18), Okonjo-Iweala observou que, embora o mundo tenha focado nas ações tarifárias dos Estados Unidos, outros membros da OMC implementaram diversas medidas restritivas. Para ela, o cenário atual é reflexo de um sistema que parou no tempo.
Isso está acontecendo porque o sistema não tem se reformado e não conseguiu acompanhar a evolução dos tempos, afirmou a diretora-geral da OMC.
A OMC tem buscado reformar seu processo de tomada de decisão, mas enfrenta barreiras estruturais significativas. O principal desafio é a paralisia operacional causada pela exigência de consenso absoluto entre todos os membros. Essa dificuldade ficou evidente na reunião ministerial de março, que terminou sem a adoção de um plano de trabalho concreto devido a divergências internas.
Apesar dos reveses, Okonjo-Iweala insistiu que a organização permanece essencial para a economia mundial. Ela lembrou que três quartos de todo o comércio global ainda ocorrem sob os termos e regras da OMC, o que justifica a necessidade de preservação e atualização do órgão multilateral para garantir a segurança jurídica das transações.
O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz está impactando o sistema de forma substancial. É uma via vital para o Leste Asiático, já que um quinto do suprimento de energia do mundo passa por ali, destacou Okonjo-Iweala.
Ao concluir sua análise, a diretora manifestou o desejo de ver o Japão assumindo um papel central na diplomacia econômica. Ela instou o governo japonês a mobilizar outras nações para fortalecer o sistema multilateral, buscando alternativas que garantam a estabilidade das relações comerciais em um cenário global marcado por incertezas e conflitos regionais.
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