Brasília, Distrito Federal, Brasil 13 de abril de 2026 – O Globo – Enquanto a realidade da mesa do trabalhador brasileiro segue marcada pela busca por itens básicos e pela economia forçada, o Palácio da Alvorada parece viver sob uma lógica de ostentação que ignora a sensibilidade nacional. No último feriado de Páscoa, ocorrido no domingo (5), o cardápio presidencial ultrapassou os limites do razoável ao servir carne de paca, um animal silvestre que, em criadouros legalizados, chega a custar 400 reais o quilo. A escolha da iguaria, promovida pela primeira-dama Janja, soa como um verdadeiro deboche e um tapa na cara do cidadão comum, que observa de longe um luxo inacessível financiado pelo simbolismo do poder.
“A escolha de um prato que custa 400 reais o quilo, em um país onde milhões ainda lutam contra a insegurança alimentar, demonstra um distanciamento abismal entre o discurso de humildade e a prática da ostentação palaciana.”
Segundo informações publicadas pela coluna do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, o fornecedor seria o empresário Emílio Odebrecht, conhecido por sua relação de longa data com o presidente Lula.
O almoço carrega um ingrediente ainda mais amargo para a memória do país: a origem do fornecimento. A carne de paca servida a Luiz Inácio Lula da Silva foi fornecida por seu “velho amigo” Emilio Odebrecht. A reaparição deste nome no círculo íntimo da presidência não é apenas uma nota social, mas um mergulho nos capítulos mais escuros da história brasileira. Emilio Odebrecht foi coautor do maior esquema de corrupção já registrado no mundo, desmantelado pela Operação Lava Jato, que revelou o desvio bilionário de recursos que deveriam ter sido investidos em saúde, educação e infraestrutura para o povo.
“Servir-se de um almoço providenciado por uma figura central nos maiores escândalos de corrupção da história é um insulto às instituições e ao esforço de limpeza ética que o Brasil tentou trilhar.”
A repercussão negativa tomou conta das conversas já na segunda-feira (6) seguinte ao feriado, evidenciando o desconforto social com a naturalidade com que velhas alianças são celebradas em Brasília. Para muitos, a paca de 400 reais o quilo não é apenas uma carne exótica, mas o símbolo de uma elite que se sente acima das dificuldades do povo e imune ao julgamento moral sobre suas companhias. O episódio reforça a percepção de que, no topo da pirâmide política, a alimentação é farta e as amizades do passado, por mais tóxicas que sejam para a nação, continuam sendo servidas com o mais fino requinte e total desdém pela opinião pública.
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