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Programa O Sul em Cima, edição 12/2026, destaca o cancioneiro gaúcho com Grupo Chão de Areia e Loma Solaris

Programa celebra a irmandade entre Shiga e Rio Grande do Sul destacando a viola do Grupo Chão de Areia e a ancestralidade de Loma Solaris

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Konan, Shiga, Japão, 3 de junho de 2026, Radio Shiga. A histórica relação de irmandade entre a província japonesa de Shiga e o Estado do Rio Grande do Sul ganha um novo e emocionante capítulo por meio das ondas sonoras. A música atua como uma verdadeira ponte cultural que encurta os mais de 18 mil quilômetros de distância entre as duas regiões, unindo tradições e fortalecendo laços de amizade que atravessam gerações. O elo ganha evidência na edição 12/2026 do prestigiado programa O Sul em Cima, apresentado por Marcio Celli, que promete levar o melhor da sonoridade sul-riograndense ao público nipônico.

A nova edição do programa conta com a direção de Kleiton Ramil, produção de Mariusa Kineuchi e montagem de Eduardo Beda. O Sul em Cima será transmitido globalmente pela Radio Shiga Japan na próxima quinta-feira (11), pontualmente às 20h00 pelo horário de Tóquio (8h00 no horário de Brasília). O grande destaque da noite fica por conta do resgate histórico e das ricas texturas musicais apresentadas pelo Grupo Chão de Areia e pela icônica cantora Loma Solaris.

O resgate da viola sulista pelo Chão de Areia

Nascido no litoral norte do Rio Grande do Sul, o Grupo Chão de Areia consolidou uma trajetória de mais de duas décadas marcada pelo resgate metodológico da viola no sul do Brasil. O instrumento, fundamental na formação da identidade regional, acabou esquecido por muitos anos na tradição gaúcha purista. Composto por Mário Tressoldi, Chico Saga e Flávio Júnior, o trio iniciou seus passos artísticos acompanhando grupos de danças tradicionais e, atualmente, coleciona premiações nos principais festivais de música das regiões Sul e Sudeste do país. Na bagagem, trazem obras de relevância como o álbum ‘Quem Somos Nós’, de 2011.

Em 2021, motivado pela celebração de seus 19 anos de estrada, o grupo idealizou o projeto ‘Nos Sons do Litoral’, viabilizado por meio do edital Criação e Formação Diversidade das Culturas da Fundação Marcopolo, em parceria com o governo do Estado do Rio Grande do Sul e o Governo Federal, sob o amparo da Lei Aldir Blanc. O ambicioso trabalho foi composto por um EP, sete videoclipes e um documentário detalhado sobre a música produzida na costa norte gaúcha, com o intuito de eternizar memórias e inspirar novas gerações.

“Eternizar memórias, construir legados e inspirar as próximas gerações a valorizar e enriquecer a cultura local foi o grande objetivo do projeto Nos Sons do Litoral.”

O repertório selecionado para a transmissão engloba composições profundas como ‘Pescador de Sonhos’ (com participação da Tribo Maçambiqueira), ‘Somos o Litoral’ (com Nilton Júnior e Márcia Freitas), ‘Recanto da Minha Gente’, ‘Castelo de Areia’ (parceria com Carlos D’Lucka), ‘Litorâneo’ (com Índio Rufino), ‘Quilombola’ (com participação especial da própria Loma) e ‘Um Terno pela Paz’ (com Monycah Ramos e Juliano Gonçalves).

Loma Solaris e a vibrante musicalidade afro-gaúcha

Outra grande atração do programa é a consagrada intérprete Loma Solaris. Nascida em Recife, filha de pai pernambucano e mãe natural de Santo Antônio da Patrulha, a artista mudou-se para Porto Alegre com apenas dois meses de vida. Sua trajetória profissional despontou em 1973 no Grupo Pentagrama, pioneiro na fusão de ritmos como o samba e a música nativista. Após passagens marcantes pela Califórnia da Canção Nativa e temporadas de estudos no Rio de Janeiro, onde atuou como vocalista de apoio para lendas da MPB como Gilberto Gil, Alceu Valença e Elza Soares, Loma retornou ao Rio Grande do Sul para consolidar sua celebrada carreira solo.

Ao longo de 50 anos de trajetória, a cantora passou por mutações artísticas assinando como Loma e Loma Pereira, até adotar recentemente a alcunha de Loma Solaris. O nome carrega um forte simbolismo ligado ao resgate da presença e herança negra dentro do cancioneiro regional sul-riograndense, culminando no lançamento de seu quinto álbum solo, intitulado ‘Preta Gaúcha’. Lançado nas plataformas digitais em maio de 2026, o disco explora uma sonoridade rica dividida entre valsas, chacareras, milongas e reggae.

“Trata-se de uma obra essencialmente preta, enaltecendo e reafirmando em suas letras e melodias o vínculo do Rio Grande do Sul com a música latino-americana. Quis fazer um trabalho rico de conteúdo cultural e popular com o que apurei das questões rítmicas afro-gaúchas, afro-açorianas e afro-litorâneas e também do nativismo.”

Os ouvintes da Radio Shiga poderão acompanhar faixas marcantes deste novo trabalho, incluindo ‘Cantigas de Mar’, ‘O Trigo’ (baseado nos versos de Oliveira Silveira), ‘Gira das Ialodês’ (com participação de Glau Barros, Marietti Fialho, Neuro Jr, Nina Fola e Tamiris Duarte), ‘Caminhada’, ‘Clara Clareou’ (em parceria com Arthur de Faria) e a poética ‘Valsa dos Vagalumes’. As letras do álbum abordam temáticas de extrema relevância contemporânea, como a preservação do meio ambiente, o protagonismo das mulheres, os povos indígenas e a valorização das comunidades afro-brasileiras.

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