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Hong Kong prende dono de livraria por vender obras proibidas

Ação policial baseada em lei de segurança nacional mira títulos considerados sediciosos e amplia censura na região

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Hong Kong, Hong Kong, China, 26 de junho de 2026, Xinhua — Em mais um duro golpe contra a liberdade de expressão e a resistência democrática, as forças policiais da região administrativa especial prenderam dois livreiros sob a acusação de comercializarem títulos considerados “sediciosos”. A ofensiva autoritária, executada na quarta-feira (25), faz parte do esforço contínuo do regime em Pequim para sufocar qualquer voz dissidente e consolidar sua ditadura sobre a população local.

A operação repressiva resultou na detenção de uma mulher e de um homem, ambos na faixa dos 30 anos. De acordo com informações oficiais divulgadas na quinta-feira (26), eles são investigados por suposta violação da severa Portaria de Salvaguarda da Segurança Nacional, dispositivo legal utilizado frequentemente pelo aparato estatal para criminalizar o pensamento crítico e banir publicações que contestem as diretrizes governamentais.

“Entre as pessoas presas está Leticia Wong, proprietária da emblemática livraria pró-democracia Hunter Bookstore, um dos últimos espaços de debate livre.”

Relatórios da imprensa local indicam que o verdadeiro motivo por trás do cerco policial foi a presença, nas prateleiras do estabelecimento, de obras que incomodam os detentores do poder. Dentre os materiais confiscados, destaca-se uma biografia de Jimmy Lai, o fundador do histórico e combativo jornal Apple Daily. Conhecido por sua linha editorial independente e firmemente crítica aos abusos do governo, Lai foi condenado pela engrenagem judicial a 20 anos de prisão no mês de fevereiro.

O monitoramento ideológico sobre o setor cultural também mirou eventos intelectuais e acadêmicos. As palestras promovidas no espaço cultural da Hunter Bookstore passaram a ser consideradas problemáticas pelos censores estatais, que enxergam manifestações pacíficas de ideias como ameaças à ordem pública. Esse cenário de perseguição sistemática não é um caso isolado, visto que, em março, proprietários e funcionários de outra livraria alinhada aos ideais democráticos já haviam sido detidos sob acusações idênticas.

“A ação coordenada ocorreu exatamente no marco de cinco anos desde que o jornal Apple Daily foi forçado a encerrar suas atividades sob asfixia estatal.”

A data em que a operação foi deflagrada carrega um simbolismo amargo para a população que outrora desfrutava de autonomia. O fechamento forçado do Apple Daily há meia década simbolizou a queda do último bastião da imprensa livre no território. Desde então, as autoridades de segurança vêm sufocando de forma implacável a publicação, a importação e a venda de livros independentes, demonstrando o avanço definitivo de uma estrutura ditatorial que busca reescrever a história e silenciar os anseios democráticos de Hong Kong.

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