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Japão recorda vítimas da Doença de Minamata após 70 anos

Cerimônia em Kumamoto marca o reconhecimento oficial do surto de envenenamento por mercúrio que devastou comunidades

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Cidade de Minamata, Kumamoto, Japão, 1 de maio de 2026, NHK – Cidadãos japoneses prestaram homenagens nesta sexta-feira (1) para marcar os 70 anos desde que o governo reconheceu oficialmente a Doença de Minamata. O distúrbio neurológico, causado por envenenamento por mercúrio, tornou-se um dos símbolos mais trágicos dos impactos industriais no meio ambiente no Japão pós-guerra.

A contaminação ocorreu devido ao descarte de metilmercúrio em águas residuais pela Chisso Corporation, poluindo o mar nas províncias de Kumamoto e Kagoshima. A população local adoeceu gravemente ao consumir peixes e mariscos contaminados. Embora os danos já estivessem ocorrendo, os primeiros casos foram oficialmente relatados às autoridades de saúde pública em 1º de maio de 1956, incluindo duas irmãs jovens que perderam subitamente a mobilidade.

Cerca de 780 pessoas compareceram ao serviço memorial realizado em Minamata. Entre os presentes estava Ogata Masami, de 68 anos, que testemunhou o sofrimento de diversos familiares. Seu avô faleceu devido ao envenenamento agudo e o próprio Ogata só obteve a certificação oficial como paciente dez anos após o seu pedido inicial.

Ogata relatou que as vítimas ainda enfrentam desafios que vão além das sequelas físicas, citando a discriminação e o preconceito persistentes. Ele enfatizou que os problemas em torno das medidas de socorro e justiça não são facilmente resolvidos e que uma solução real só virá quando a sociedade encarar os fatos, refletir sobre o passado e aprender com os erros cometidos.

Durante a cerimônia, o Ministro do Meio Ambiente, Ishihara Hirotaka, ofereceu desculpas formais e sinceras em nome do governo japonês. O ministro reconheceu a falha do Estado em prevenir que a doença afetasse tantas pessoas e comprometeu-se a ouvir as vozes dos residentes locais para aprimorar os serviços médicos e de bem-estar nas comunidades atingidas.

“Trabalharei com ainda mais empenho para melhorar os serviços médicos e de assistência”, afirmou Ishihara Hirotaka, reforçando o compromisso governamental com as comunidades que ainda convivem com o legado da tragédia.

A celebração dos 70 anos do reconhecimento oficial reforça a necessidade contínua de monitoramento ambiental e suporte às vítimas, em um esforço para que desastres industriais dessa magnitude jamais se repitam.

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