Konan, Shiga, Japão, 18 de maio de 2026 – Radio Shiga – Conflitos Conjugais: principais causas – Levando em consideração que a maioria das famílias, em algum momento de suas vidas, enfrenta situações de conflitos nos relacionamentos conjugais, este artigo tem como objetivo apresentar alguns principais motivos e como lidar com esses desafios.
Os conflitos conjugais têm sido estudados de uma forma abrangente, em vários lugares do mundo, com o objetivo de entender as suas principais origens e como auxiliar na melhoria das relações. De forma geral, conflitos conjugais tem origem nos desentendimentos, desacordos, brigas, ciúmes, violência doméstica seja física, verbal e psicológica de ambas as partes. Entretanto, existem casos bem específicos que são experienciados por casais residentes do Japão, devido ao estilo de vida e ritmo de trabalho em fábricas.
É importante ressaltar que um dos principais fatores que mais desencadeia aos conflitos é a falta de diálogo para se chegar a um acordo que seja melhor para ambos, o que ocasiona um desgaste na relação.
Origem dos conflitos mais comuns são:
• Situação financeira: quando não se aplica a economia doméstica e as contas se acumulam;
• Vícios: que podem ser por álcool, cigarros, drogas, games, pornografia etc.
• Relacionamento abusivo: na fase de namoro é uma característica que não é tão aparente, ou percebida pelo momento do encantamento. Após o casamento ou quando passam a conviver debaixo do mesmo teto, o “verdadeiro eu” é revelado. “No começo tudo são flores…depois começam a aparecer os espinhos”.
• Questão familiar primária: quando de forma direta ou indireta, os pais de algum dos cônjuges querem interferir na relação do casal.
A intimidade sexual, também, deve ser considerada como um fator importante na origem de um conflito conjugal, pois surgem a desconfiança e a insegurança, o que pode causar alterações no comportamento sexual no relacionamento. Exemplificando: alguns se sentem tão inseguros com a falta do ato sexual que acabam procurando ou querendo ter mais relação sexual do que o habitual para demonstrar que o cônjuge não precisa buscar fora (ao invés de conversar sobre o assunto), e outros acabam se isolando do cônjuge e reduzindo a libido sexual (mais comum em mulheres).
A carga horária de trabalho é um fator relevante que interfere na relação conjugal e familiar, e aos poucos o relacionamento vai esfriando. Ainda, em relação a carga horária de ambos, surge um outro item a considerar que são os afazeres domésticos. Um trabalho pós expediente que acaba sobrecarregando apenas um deles, e na maioria das vezes recai sobre a mulher. Não é uma regra, pois existem casos que a sobrecarga fica para o marido.
Palavras de gatilhos ou palavras negativas, também tendem a aumentar os conflitos, pois essas palavras podem trazer lembranças de traição, momentos ruins e negativas do passado. Troque as por elogios e evite esses gatilhos e frases que trazem à m um sentimento ruim.
Como sabemos, a pandemia de Covid-19 trouxe mudanças bruscas no modo de viver e de trabalhar, obrigando pessoas a passarem mais tempo dentro de suas casas. Esse isolamento social, evidentemente, trouxe uma convivência em maior tempo no mesmo teto com familiares. Tendo que se adaptar a novos hábitos e não tendo oportunidade de se distrair e relaxar emocionalmente, houve um aumento significativo de violência doméstica, isso no mundo todo. Infelizmente, em alguns casos o confinamento doméstico agravou os sintomas de depressão, e no Japão, pela primeira vez, durante a pandemia o índice de suicídio de mulheres superou o de homens. Por isso, a importância de ter uma rede de apoio para conversar, ouvir opiniões de amigos e outros casais que possam compartilhar experiências e até buscar uma ajuda profissional. Em muitos casos, não há necessidade de um acompanhamento do casal, e sim, apenas de um dos cônjuges que esteja passando por esse conflito individual e que pode refletir no parceiro (a) e nos filhos.
Como melhorar e amenizar os conflitos
Os conflitos familiares e conjugais não são tão fáceis de serem resolvidos sozinhos, devido ao orgulho de cada um em não querer enxergar os pontos a serem melhorados. Trazendo à tona os principais motivos, espero contribuir para que o leitor possa perceber, identificar, refletir e fazer mudanças necessárias para prevenção ou melhoria do relacionamento conjugal e familiar:
• Evite o uso excessivo do celular e reduzir a frequência nas redes sociais; pratique exercícios juntos. Assista filmes juntos, isso ajuda a combater o isolamento social virtual, trazendo um relacionamento mais palpável e real;
• Decida juntos as compras e gastos;
• Frequência sexual: demonstração de afeto diário aproxima à intimidade do casal (o amor precisa ser regado todos os dias, caso contrário, ele murcha);
• Escolhas relacionadas à educação dos filhos, em especial no Japão, é um papel fundamental a ser decidido juntos.
• A divisão de tarefas domésticas pode ser um grande adversário ou um grande amigo, depende de como vai utilizá-la. Tenha a consciência de estar contribuindo e ajudando um ao outro.
• A ausência de privacidade (um momento só seu) pode ser um problema ou um excesso também. O ideal e ter o equilíbrio e respeitar os limites e o espaço do outro, porém, não tornar essa privacidade um individualismo, lembrando que estamos falando de casais.
• Datas comemorativas devem ser lembradas e presenteadas, não importa o tempo de casados, e eventualmente também em datas aleatórias.
• Assista filmes juntos, em especial, os que tratam de assuntos para casais com aprendizagem para ambos e procure experienciar o que aprendeu.
Marcos Ribeiro de Souza – Psicólogo (CRP 06-87716)
Formação Acadêmica: Bacharelado em Psicologia (2005) e Formação de Psicólogo pela UNISA – Universidade de Santo Amaro – SP, 2006. Experiência prática no Brasil, desde 2008, com atendimentos de casais, familiar, individual e empresas. Atuação no Japão desde 2012, sendo como principais causas de atendimento: ansiedade, depressão, transtornos, conflitos etc. Atuação com a Abordagem Centrada na Pessoa. Página no facebook: @psicologoclinicojapaotoyohashi; Instagram e canal no YouTube: psicologandonojapao. Inscreva-se no canal.
Colunista da Revista Boa Dica
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