Tóquio, Japão, 27 de janeiro de 2026, NHK – Aos 95 anos, Rosalina Kamba desembarcou no Japão pela primeira vez, após uma vida inteira aguardando o reconhecimento de sua cidadania japonesa. Ela faz parte de um grupo de cerca de 50 filipinos nascidos de mães filipinas e pais japoneses que, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, vivem em situação de limbo documental.
Kamba e outros descendentes foram considerados cidadãos japoneses ao nascer. No entanto, com o caos que marcou o encerramento da guerra, muitos pais japoneses desapareceram ou foram repatriados sem deixar registros formais, rompendo o vínculo legal necessário para comprovar a nacionalidade dos filhos.
O pai de Kamba trabalhava como agricultor na ilha de Mindanao, nas Filipinas. Ela conta que ele esteve ausente durante quase toda a sua infância, mas lembra de tê-lo encontrado uma única vez, quando tinha cerca de 10 anos.
Durante a viagem, Kamba pretende seguir para a província de Tottori, onde visitará o túmulo do pai na próxima sexta-feira (30). A visita é apoiada pelo governo japonês, que tem ampliado iniciativas para auxiliar descendentes filipino-japoneses a recuperar ou comprovar sua cidadania.
O caso de Rosalina simboliza a luta de milhares de descendentes deixados para trás após a guerra, muitos dos quais envelhecem sem documentos, reconhecimento legal ou acesso pleno a direitos. A viagem representa, para ela, não apenas um reencontro com suas origens, mas também a esperança de finalmente ser reconhecida como cidadã japonesa.
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