14.8 C
Kóka
sexta-feira, 8 maio, 2026 4:22: am
spot_img
Inicio Japão Desafios de Abe no primeiro encontro com Trump

Desafios de Abe no primeiro encontro com Trump

0
O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, se reunirão em Nova York na quinta-feira, 17 de novembro de 2016. Image: vector_brothers / Shutterstock.com.

Desafios de Abe no primeiro encontro com Trump. A vitória de Trump surpreendeu a Ásia, com líderes e mercados financeiros lutando para compreender o que, exatamente, significaria para a região uma presidência de Trump.

O Japão, um dos aliados mais próximos dos EUA na região da Ásia-Pacífico, esperava que os democratas conservassem a Casa Branca, e a liderança japonesa foi pega de surpresa pelo resultado da eleição.

O “Trump Shock”, como foi rotulado pela mídia japonesa, levou o primeiro-ministro, Shinzo Abe, a buscar uma reunião urgente, e sem precedentes, com o novo presidente eleito dos EUA, poucos dias após o resultado da eleição.

O líder japonês solicitou a reunião, que está programada para acontecer em Nova York amanhã, para esclarecer a posição de Trump sobre a segurança regional e o comércio.

A urgência com que esta reunião foi organizada indica, claramente, o quanto o Japão está preocupado com o compromisso de Trump com a segurança na região Ásia-Pacífico.

Abe e o governo japonês enfrentam a tarefa, desafiadora, de verificar o quanto da retórica, controversa, da campanha de Trump está destinada a se tornar política, e quanto dela era simplesmente retórica populista.

O Japão tem seus próprios militares. No entanto, tem havido uma forte presença militar norte-americana no país, desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Atualmente, existem 54.000 militares norte-americanos baseados no Japão e o país tornou-se dependente das forças dos EUA para equilibrar as ameaças potenciais da China e da Coréia do Norte.

Falando após as eleições dos EUA, Abe enfatizou que: “A paz e a estabilidade na região Ásia-Pacífico, que é o centro do crescimento econômico global, é uma fonte de força dos EUA. A forte aliança Japão-EUA é indispensável para apoiar a paz e a estabilidade na região “.

No entanto, Trump indicou, claramente, que vai colocar os interesses dos Estados Unidos em primeiro lugar e está menos preocupado com o papel dos EUA em assuntos globais do que seus antecessores.

US President-elect Donald Trump. Pic: AP.
Presidente eleito dos EUA, Donald Trump / AP Nov/2016

Durante uma entrevista para o New York Times, Trump chegou a questionar princípio básico da OTAN de proteger um Estado membro que seja atacado.

Na trilha da campanha, Trump criticou, repetidamente, aliados dos norte-americanos, como o Japão, por não contribuir suficientemente para apoiar as bases militares dos EUA, um ponto discutido pela ministra da Defesa do Japão, Tomomi Inada, que disse a repórteres em Tóquio que: “estamos suportando o peso que nós devemos carregar”. Trump, no entanto, ameaçou retirar as tropas a menos que os aliados comecem a pagar mais.

Sobre a questão do programa de mísseis avançado da Coréia do Norte, Trump chegou a sugerir que a Coréia do Sul e o Japão desenvolvessem seu próprio programa nuclear, em vez de confiar no “guarda-chuva nuclear” dos EUA, uma medida profundamente impopular em todo o Japão.

Um assessor de Trump, que se recusou a ser identificado, disse à Reuters que o presidente eleito dos EUA espera que o Japão adote um papel mais ativo na Ásia e espera que o Japão se torne um aliado de primeira linha contra uma China cada vez mais agressiva.

Também acredita-se que sob a administração Trump, os militares do Japão serão encorajados a participar de patrulhas aéreas e marítimas conjuntas com os EUA, no disputado Mar da China Meridional.

Embora não esteja claro quanto o Japão estará disposto a participar de patrulhas conjuntas que possam agitar Pequim.

Em 2012, o Partido Liberal Democrático (PLD) emitiu um projeto de alteração constitucional buscando reformar a Constituição de 1947, que havia sido redigida pelos EUA.

Essas emendas constitucionais são revisões, controversas, do Artigo 9, que ampliarão o escopo operacional dos militares japoneses e permitirçao que o Japão possa enviar tropas ao exterior para defender um aliado.

Se a mensagem do presidente eleito dos Estados Unidos for de que o Japão precisa ser capaz de se proteger, isso poderá dar a Abe o sinal verde para suas ambições militaristas.

Com o partido de Abe assegurando a superioridade em ambas as casas do parlamento do país, o Japão pode ser capaz de fortalecê-lo significativamente, e afastar-se do seu estado pacifista de há muito tempo, embora isso possa levar a uma perigosa corrida armamentista, em uma região já bastante tensa.

prime minister shinzo abe
Primeiro Ministro do Japão, Shinzo Abe – AP / Nov/2016

Mesmo que Abe seja capaz de aprovar a legislação necessária, reforçar as forças armadas do Japão levará um tempo considerável.

As preocupações do Japão são de que a partir de janeiro de 2017, a região Ásia-Pacífico deixará de estar na lista de prioridades do presidente dos EUA, deixando um vácuo que a China estará pronta e esperando para preencher.

Esses medos foram expressos na principal publicação financeira do Japão, o Nikkei Shimbun, “Devemos estar cientes de que os EUA vão prestar menos atenção à Ásia … Durante o período de transição, a China poderia fazer um novo movimento no Sul ou no Mar da China Oriental. O governo japonês precisa estar pronto para tal situação “.

Um fator que pode dar a Abe e às lideranças japonesas algum alívio é que, desde que venceu a eleição, Trump indicou uma disposição para rever alguns pontos de sua retórica de campanha, como acabar com o Obamacare e processar Hillary Clinton, também é pouco provável a construção de um muro ao longo da fronteira mexicana, apesar de ser uma das suas mais populares promessas de campanha.

Ao encontrar-se com Trump o mais cedo possível, Abe espera estar construindo uma relação produtiva com o novo presidente, esclarecer a postura de Trump sobre a segurança regional e, se possível, influenciar o entendimento do presidente eleito sobre a importância de garantir a estabilidade na região Ásia-Pacífico.

Como empresário, Trump pode, após reflexão, concordar que assegurar a estabilidade em todo o Mar da China Meridional, que está entre as rotas marítimas mais movimentadas do mundo e através da qual passam cerca de US $ 1,2 trilhão de comércio norte-americano, anualmente, ainda é um uso valioso dos recursos dos EUA.

Asian Correspondente By

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.