Konan, Shiga, Japão, 19 de junho de 2026 – Elisabete Panssonatto Breternitz (*) – A Rodovia Caminho do Mar (SP-148), popularmente chamada de Estrada Velha de Santos, guarda em seus 33 quilômetros de extensão uma história que atravessa séculos.
Ligando Santos e Cubatão a São Paulo, via Grande ABC, foi durante muito tempo a principal rota entre a Baixada Santista e a capital.
Fechada para veículos particulares desde 1985, hoje o trajeto só pode ser percorrido a pé ou em micro-ônibus da Fundação Patrimônio Histórico da Energia de São Paulo, responsável pela administração do Polo Ecoturístico Caminhos do Mar.
A área reúne não apenas a rodovia, mas também a histórica Calçada do Lorena, inaugurada em 1792, que foi o primeiro caminho pavimentado que ligou São Paulo a Santos, construída a mando do então governador-geral da Capitania, Bernardo José Maria de Lorena.
São marcantes os monumentos erguidos em 1922 para celebrar o centenário da Independência, como o Pouso de Paranapiacaba, o Belvedere Circular, o Rancho da Maioridade e o Padrão do Lorena.
O Caminho do Mar nasceu das antigas trilhas indígenas que ligavam São Vicente a Piratininga; no século XVIII, a Calçada do Lorena trouxe inovação tecnológica facilitando o escoamento da produção de açúcar rumo ao Porto de Santos.
Já em 1920, a estrada foi pavimentada em concreto, tornando-se a primeira da América Latina com esse tipo de revestimento e símbolo da modernização do transporte rodoviário.
Com a inauguração da Via Anchieta (1947) e, posteriormente, da Rodovia dos Imigrantes (1976), o fluxo de veículos migrou para as novas pistas, deixando a Estrada Velha subutilizada. Reformada entre 1992 e 2004, ela se transformou em um espaço voltado ao turismo ecológico e histórico.
Além de sua relevância histórica, a estrada inspirou a canção “As Curvas da Estrada de Santos”, de Roberto Carlos. Hoje, o Caminho do Mar é mais do que uma rodovia, é um museu a céu aberto, onde natureza e memória se encontram.
Considerada um dos principais polos de turismo histórico e ecológico de São Paulo, a Estrada Velha oferece ao visitante mirantes com vistas espetaculares da Serra do Mar e da Baixada Santista.
Em cada curva, é possível reviver séculos de história e compreender por que o Caminho do Mar é muito mais do que uma estrada: é um patrimônio vivo da memória paulista.
(*) Elisabete Panssonatto Breternitz, Especialista em Língua Inglesa pela UNESP, é professora e membro da Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí – AFLAJ. betenitz@gmail.com
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