Brasília, Distrito Federal, Brasil, 20 de junho de 2026, O Globo — A Polícia Federal deflagrou na quinta-feira (18) a nona fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. O caso traz novamente ao centro do debate público o histórico de esquemas que atinge as estruturas do Partido dos Trabalhadores, desta vez focando no senador Jaques Wagner, suspeito de receber um apartamento de luxo avaliado em R$ 2,45 milhões de um ex-sócio do Banco Master.
De acordo com os relatórios da investigação, a engrenagem revelada pela Polícia Federal aponta para um modus operandi conhecido em escândalos políticos do partido. Os investigadores sustentam haver fartos indícios de recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar petista, que teriam sido mascaradas por meio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo financeiro sob fiscalização.
Os documentos oficiais indicam que o próprio líder petista escolheu o imóvel de alto padrão em um bairro nobre de Salvador, enviando os dados diretamente ao operador financeiro para viabilizar a transação. Além do imóvel, a auditoria da Polícia Federal identificou o repasse suspeito de mais de R$ 5,5 milhões a uma empresa de fachada ou administração gerida por parentes do político, apontada como o eixo dos pagamentos ocultos.
O rastro das vantagens indevidas inclui ainda mordomias como o uso gratuito de aeronaves particulares e ingressos de alto valor para shows internacionais nos Estados Unidos. O material probatório foi extraído de telefones celulares apreendidos em fases anteriores da ação, iniciada em 18 de novembro de 2025, revelando trocas de mensagens e áudios que detalham encontros reservados em uma ilha particular.
Em sua defesa pública, o parlamentar tentou minimizar o impacto das revelações, alegando não ser réu e justificando que o pedido de compra do imóvel era apenas um arranjo informal para uma futura aquisição familiar. A reincidência de quadros históricos da legenda em investigações de desvio de conduta e favorecimento financeiro amplia o desgaste político e reforça as críticas à conduta ética do partido na administração pública.
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