Singapura, 31 de maio de 2026, Associated Press (AP) – Os chefes de defesa dos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália reafirmaram o compromisso de estreitar sua cooperação militar, com foco especial no desenvolvimento de tecnologias subaquáticas avançadas. Durante um encontro realizado neste sábado (30), em Singapura, as nações que integram o pacto de segurança AUKUS anunciaram o avanço em projetos de veículos submarinos não tripulados (UUVs). A reunião ocorreu paralelamente ao Diálogo de Shangri-La, a principal conferência de segurança da Ásia.
Além da inovação tecnológica, as autoridades confirmaram o cronograma para uma manobra estratégica de grande escala: a rotação de submarinos de propulsão nuclear dos Estados Unidos e do Reino Unido em bases na Austrália. De acordo com o plano conjunto, as operações devem ser iniciadas oficialmente a partir de 2027, visando aumentar a presença aliada e a capacidade de resposta na região do Indo-Pacífico.
A cooperação militar trilateral busca garantir a estabilidade e a modernização das forças navais diante dos novos desafios globais de segurança.
A reação de Pequim
A China reagiu prontamente às movimentações do bloco ocidental. Meng Xiangqing, professor da Universidade de Defesa Nacional da China e chefe da delegação chinesa no evento, rebateu as iniciativas das três nações durante uma sessão também no sábado (30). Para o representante de Pequim, alianças militares não devem ter países terceiros como alvo, nem prejudicar os interesses alheios ou comprometer a paz regional já estabelecida.
Meng ressaltou que a China deseja manter uma relação estável com Washington, mas impôs condições rígidas sobre temas de soberania. Ao ser questionado sobre as vendas de armamentos norte-americanos para Taiwan, o oficial foi categórico ao afirmar que o governo chinês se oporá firmemente a qualquer movimento de independência da ilha para assegurar a paz no estreito.
A questão de Taiwan é uma linha vermelha inegociável para a China e não há espaço para compromissos ou concessões diplomáticas sobre este tema.
Tensões regionais e o fator Japão
O posicionamento chinês também se estendeu ao Japão, com alertas sobre uma possível mudança na postura pacifista do país. Meng advertiu contra o que chamou de “renascimento do militarismo” japonês, enfatizando a importância de respeitar os resultados da Segunda Guerra Mundial e a ordem internacional estabelecida no pós-guerra.
Analistas presentes no Diálogo de Shangri-La observam que o endurecimento do tom chinês, aliado à expansão das atividades do AUKUS, desenha um cenário de polarização militar na Ásia. Enquanto o bloco liderado pelos EUA busca consolidar uma rede de defesa integrada, Pequim reforça sua prontidão para defender o que considera seu território ancestral, elevando o estado de vigilância em todo o Mar da China Meridional.
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