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Um em cada três eleitores brasileiros no Japão não concluiu o ensino médio

Um terço dos brasileiros eleitores no Japão não terminou o ensino médio, enquanto o país lidera a proporção de votantes no exterior

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Tóquio, Japão, 2 de outubro de 2026 – por Miguel Kamiuten – Dados do TSE mostram 88.366 eleitores, maioria masculina e mais da metade entre 40 e 64 anos; Japão tem a maior proporção de eleitores aptos a votar entre as grandes comunidades brasileiras no exterior

Um em cada três brasileiros aptos a votar no Japão, 30.353 de 88.366, não concluiu o ensino médio, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O número levanta uma questão para uma comunidade que se aproxima de quatro décadas no país e disputa vagas em um mercado de trabalho exigente.

Neste domingo (4), das 8h às 17h, no horário do Japão, esses eleitores escolhem o presidente e o vice-presidente da República. Em relação ao total de brasileiros residentes, o Japão tem a maior proporção de eleitores entre as dez maiores comunidades no exterior: 42 eleitores para cada 100 residentes.

Um terço sem o ensino médio
O ensino médio completo é a faixa mais numerosa (44,8%), mas 34,3% dos eleitores no Japão não chegaram a essa etapa. Só 20,8% têm algum ensino superior.

O problema não está só entre os jovens. Entre 25 e 64 anos, 33,7% dos eleitores não concluíram o ensino médio, e entre 40 e 64 anos o índice é de 34,0%. Dois em cada três eleitores sem o médio (67,8%) têm 40 anos ou mais.

Os homens aparecem mais nessa faixa: 37,2% não concluíram o médio, contra 31,1% das mulheres. Tóquio concentra mais diplomados, com 15,1% de superior completo, contra 9,8% em Nagoia e 8,9% em Hamamatsu.

Isso pode significar que a falta do ensino médio pode limitar o acesso a cursos técnicos, certificações e promoções. Combinada com a barreira do idioma, tende a manter parte da comunidade em funções de menor qualificação e mais expostas a contratos temporários. Em um mercado que valoriza formação e reconhecimento de qualificações, isso pesa mais para quem está na faixa de 40 a 64 anos, a mais numerosa.

Um eleitor maduro: mais da metade tem entre 40 e 64 anos

A faixa de 40 a 64 anos reúne 55,6% do eleitorado (49.143 pessoas). O pico está entre 50 e 54 anos, com 10.590 eleitores (12,0%). Os menores de 25 anos são 8,5%, e os de 65 anos ou mais, 11,9%.

Voto facultativo: dos 16 anos aos mais de cem
A legislação brasileira torna o voto facultativo para quem tem 16 e 17 anos e para os maiores de 70. No Japão, 116 jovens nessa situação estão aptos a votar: 11 de 16 anos e 105 de 17 (53 meninas e 63 meninos).

Na outra ponta, 4.944 eleitores têm 70 anos ou mais: 3.092 entre 70 e 74, 1.399 entre 75 e 79 e 453 com 80 ou mais. Há 9 com mais de 90 anos e, na jurisdição de Tóquio, um dos eleitores tem 100 anos ou mais. Ambos os grupos mantêm o título ativo, embora não sejam obrigados a votar.

Homens são maioria em todas as jurisdições
Dos 88.366 eleitores, 46.627 são homens (52,8%) e 41.739 são mulheres (47,2%).

A diferença é maior entre 40 e 64 anos, quando os homens chegam a 53% a 54% do total. Entre os eleitores de 18 e 19 anos, eles são 55,9%. As mulheres só superam os homens na faixa de 21 a 24 anos (2.582 contra 2.554) e entre os mais velhos, acima de 85 anos.

Japão tem a maior proporção de eleitores entre as grandes comunidades
Para medir o peso de cada comunidade nas urnas, com base nos dados do TSE e com a estimativa de brasileiros residentes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) no Relatório Consular Anual 2025. Entre as dez maiores comunidades, o Japão aparece em primeiro lugar: são 88.366 eleitores para cerca de 210 mil residentes, ou 42 eleitores a cada 100 brasileiros no país.

A média do exterior é de 17 eleitores a cada 100 (918.876 eleitores para 5,29 milhões de residentes), e o índice na comunidade no Japão é 2,4 vezes maior. O contraste é forte nas maiores comunidades: os Estados Unidos, com cerca de 2 milhões de brasileiros, têm 265.437 eleitores (13 a cada 100), e o Paraguai, com 270 mil residentes, tem 9.225 (3 a cada 100).

Eleitores: soma das jurisdições consulares de cada país. Residentes: estimativas do MRE (Relatório Consular Anual 2025). O cálculo considera apenas os dez países com maior comunidade. Na França, o índice sobe a 34,6% se forem incluídas as seções da Guiana Francesa (Caiena e Saint-Georges), ainda abaixo do Japão.

O índice mostra que o alistamento eleitoral alcançou uma fatia maior da comunidade brasileira no Japão do que nos outros grandes destinos, o que reforça o peso da comunidade nas urnas e a importância de políticas voltadas a ela.

Serviço
Os brasileiros com domicílio eleitoral no Japão poderão votar em oito locais: Tóquio, Oizumi, Gifu, Toyohashi, Suzuka, Takaoka, Hiroshima e Hamamatsu. Neste ano não haverá votação na cidade de Nagoia, e os eleitores vinculados às seções que funcionariam lá deverão comparecer a Gifu.

  • 1º turno: domingo, 4 de outubro, das 8h às 17h (horário do Japão)
  • 2º turno (se houver): domingo, 25 de outubro
  • Cargos: apenas presidente e vice-presidente da República
  • Como saber onde votar: abra o e-Título e escolha “Onde votar”, ou use o Autoatendimento Eleitoral no site do TSE. Não existe voto em trânsito no exterior, então só é possível votar na seção indicada no cadastro
  • O que levar: título de eleitor (em papel ou e-Título) e documento oficial com foto. Certidões de nascimento ou casamento não são aceitas

Fontes: TSE (perfil do eleitorado por seção, 2026); Ministério das Relações Exteriores (Relatório Consular Anual 2025); Proporções e recortes calculados pelo autor.

*Miguel Kamiunten reside no Japão desde 1989, é um dos cofundadores do Movimento Brasileiros Emigrados (MBE), coletivo com membros espalhados em vários países. Vota no exterior desde 1998,  pesquisa e incentiva a participação dos brasileiros nas eleições.
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