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Abreugrafia: a invenção brasileira contra a tuberculose

Criada em 1936 pelo médico Manoel Dias de Abreu, técnica barata de raio-X revolucionou o diagnóstico e salvou milhares de vidas

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Konan, Shiga, Japão, 27 de setembro de 2026 – Elisabete Panssonatto Breternitz (*) – No início do século XX, a tuberculose era um grande problema de saúde pública em todo o mundo.

No Brasil, as taxas de mortalidade pela doença eram altas e os diagnósticos tardios comprometiam qualquer tentativa de tratamento.

Foi nesse contexto que o médico paulista Manoel Dias de Abreu revolucionou a medicina ao inventar, em 1936, a abreugrafia.

Até então, as radiografias, que podiam levar ao diagnostico precoce e aumentar as possibilidades de cura eram caras, o que tornava inviáveis as triagens em larga escala.

Abreu concebeu um sistema que consistia em fotografar, com câmeras portáteis e filmes de baixo custo, a imagem formada pela passagem dos raios-X em uma tela fluorescente, gerando uma imagem em tamanho pequeno, mas que permitia identificar a doença em seu início. O método era cerca de 100 vezes mais barato que a radiografia convencional.

Isso permitiu a criação de unidades móveis e campanhas de triagem em massa, não só no Brasil mas outros em países, salvando milhares de vidas.

O impacto internacional da invenção rendeu a Manoel de Abreu três indicações ao Prêmio Nobel, nos anos de 1946, 1951 e 1953.

Com a drástica queda nos índices da doença, causada pelo uso da abreugrafia e novas drogas, as campanhas de exames em massa foram descontinuadas na década de 1970.

Hoje, o diagnóstico da tuberculose é feito prioritariamente por meio de exames de escarro.
Ainda assim, a contribuição histórica de Abreu permanece viva; no Brasil, o Dia Nacional da Abreugrafia é celebrado em 4 de janeiro, data de nascimento do médico que transformou o combate a uma das doenças mais letais da história e colocou a ciência brasileira em destaque global.

(*) Elisabete Panssonatto Breternitz, Especialista em Língua Inglesa pela UNESP, é professora e membro da Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí – AFLAJ. betenitz@gmail.com
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