Filipinas: Duterte traz para casa mais de 100 trabalhadores filipinos abandonados na Arábia Saudita

Depois de uma semana de visita ao Oriente Médio, o presidente Rodrigo Duterte trouxe para casa, com ele, 138 trabalhadores filipinos no exterior - Overseas Filipino Workers (OFWs) - que estavam sem poder sair da Arábia Saudita.

Image © (O Rei Salman dá as boas-vindas a Duterte durante uma cerimônia de recepção em Riyadh, na Arábia Saudita, em 11 de abril de 2017. Fonte: Reuters / Courtesy of Saudi Royal Court via https://asiancorrespondent.com) Filipinas: Duterte traz para casa mais de 100 trabalhadores filipinos abandonados na Arábia Saudita - Apr/2017

Filipinas: Duterte traz para casa mais de 100 trabalhadores filipinos abandonados na Arábia Saudita.

Depois de uma semana de visita ao Oriente Médio, o presidente Rodrigo Duterte trouxe para casa, com ele, 138 trabalhadores filipinos no exterior – Overseas Filipino Workers (OFWs) – que estavam sem poder sair da Arábia Saudita.

Segundo a Rappler, os OFWs chegaram às Filipinas no início da segunda-feira (17) em um voo da Saudi Arabian Airlines especialmente arranjado pelo rei Salman Abdulaziz Al Saud. O grupo era composto por 63 mulheres, 55 homens e 20 crianças que permaneceram sem poder sair da Arábia Saudita por vários meses, alguns até três anos.

Nenhum dos OFWs foi acusado de qualquer crime na Arábia Saudita, o grupo ficou preso devido a questões não resolvidas, que os proibia de obter vistos de saída.

Uma reportagem do Rappler, publicado nesta segunda-feira (17), disse que muitos dos OFWs foram vítimas de práticas trabalhistas abusivas, envolvendo casos de abuso físico e empregadores se recusando a pagar seus salários.

Aliviada, pelo final de sua provação de três anos, a mãe de três filhos, Annie Delos Santos, disse que estava transbordando de alegria ao desembarcar em seu país de origem.

“Estou feliz. Sou grata ao presidente, porque ele nos ajudou a chegar em casa em segurança “, disse ela.

Delos Santos disse que seus problemas começaram quando ela fugiu de seus empregadores, supostamente, porque eles não forneceram a ela e seu bebê comida suficiente para o sustento.

Seu marido, também filipino, que trabalhava na Arábia Saudita, foi autorizado a voltar para casa, porém ela ficou presa, depois de não ter recebido permissão de seus empregadores para deixar o país. Um regulamento de imigração na Arábia Saudita estipula que os empregadores devem fornecer o consentimento para o visto de saída ser aprovado.

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Membros da comunidade filipina participam de uma reunião com Duterte em Riyadh, na Arábia Saudita, em 12 de abril de 2017. Fonte: Reuters / Faisal Al Nasser – via https://asiancorrespondent.com

Sua situação era semelhante aos outros 137 OFWs que foram repatriados, mas não antes de serem enredados em uma teia de burocracia, que os impediu de deixar o país.

No entanto, a visita de Duterte levou o Rei Salman a conceder-lhes anistia, permitindoseu retorno para casa.

Duterte prometeu construir um hospital na Arábia Saudita, para atender às necessidades de filipinos abandonados, à espera de repatriação.

“Vou pedir-lhes para estabelecer até mesmo um pequeno hospital geral para atender às necessidades de saúde de nossos [compatriotas] … Vamos continuar a fornecer, para todos os filipinos que querem voltar para casa, condições para que voltem. É uma forma de pagar por seus sacrifícios. Eu vou fazer isso diariamente “, disse ele.

A viagem de Duterte para a Arábia Saudita, Catar e Bahrein, foi um esforço para expandir os laços comerciais entre o Oriente Médio e as Filipinas.

Além de reforçar os laços empresariais, a viagem de Duterte tem um forte foco em melhorar as vidas de mais de um milhão de filipinos que, atualmente, estão trabalhando nos três países.

A visita de Duterte é de particular significado para os milhares de trabalhadores filipinos que foram submetidos a violações de seus direitos humanos e trabalhistas enquanto permanecem nos países do golfo – especialmente na Arábia Saudita, onde vivem 760 mil filipinos – e que terão seus direitos defendidos por Duterte em suas conversações com os líderes da região.

Os atrasos, em grandes projetos de construção, devido a queda nos preços do petróleo e cortes de subsídios, resultaram em mais de 5.000 trabalhadores filipinos sendo repatriados da Arábia Saudita no ano passado, enquanto a maioria ainda está esperando para ser paga.

Os trabalhadores são, frequentemente, sujeitos a terríveis condições de trabalho e de vida, bem como privados dos seus passaportes e do seu direito de sair.

Os trabalhadores domésticos são particularmente vulneráveis à exploração, com muitos sofrendo abusos nas mãos de seus empregadores, bem como horas de trabalho não razoáveis e sem férias anuais.

Enquanto na Arábia Saudita, o secretário do Trabalho, Silvestre Bello III, disse que seu homólogo saudita concordou em negociar novas regras para melhorar as condições de trabalho dos OFWs.