Aumentam esforços para apoiar estrangeiros em caso de desastre

Image © (Satoshi Hagiwara (direita), um nipo-brasileiro, participa com os membros de sua família de exercício de desastre para residentes estrangeiros, realizada na cidade de Takahama, prefeitura de Aichi. | Kyodo - via http://www.japantimes.co.jp) Aumentam esforços para apoiar estrangeiros em caso de desastre - Apr/2017

Aumentam esforços para apoiar estrangeiros em caso de desastre.

Governos locais, em todo o Japão, estão em andamento com seus esforços para apoiar estrangeiros em tempos de desastres naturais, dado o crescente número de residentes, revelou uma pesquisa efetuada pelo Kyodo News.

As autoridades locais estão preparando manuais de emergência e diretrizes para estrangeiros que estipulam etapas específicas, já que essa preparação é importante no Japão, propenso a desastres.

Por exemplo, quando fortes terremotos devastaram a Província de Kumamoto, sudoeste do Japão, e sua vizinhança, em abril do ano passado, o governo da cidade não foi capaz de responder, rapidamente, a chamadas e perguntas de embaixadas e consulados estrangeiros, e não tinha manuais de emergência e orientações.

A Kyodo pesquisou os 50 maiores municípios, incluindo a maior parte das 23 divisões de Tóquio, com um grande número de residentes estrangeiros, e três outras cidades importantes em Shizuoka, Niigata e Kumamoto.

A pesquisa encontrou 32 deles, ou cerca de 60%, que já formularam algum tipo de diretriz de emergência para apoiar os estrangeiros. O restante não possui diretrizes ou manuais, ou estão no processo de compilação destes.

“É natural considerar como apoiar os residentes, independentemente da nacionalidade, em tempos de desastre”, disse um funcionário da cidade de Sagami, na província de Kanagawa.

Takehiko Yamamura, do Instituto de Sistemas de Prevenção de Desastres, apontou para a necessidade de manuais de emergência, dizendo que: “É difícil para uma organização se mover sem manuais”.

Kobe, que tem a quarta maior população estrangeira e sofreu um mortal terremoto de magnitude 7,3 em 1995, compilou o manual mais detalhado, especificando formas de reunir informações, estabelecer serviços de consulta e enviar intérpretes, em um fluxograma.

A cidade também distribuiu cartões para estrangeiros, para ajudá-los a chegar a locais de evacuação, em caso de desastre. O cartão diz em japonês, “por favor me leve a um abrigo de evacuação.”

Seis governos municipais, incluindo Sagamihara, colocaram instruções tais como: “recomendação para evacuação” e “médico está chegando”, escrito em inglês, tailandês e tagalo, em cada abrigo.

Yokohama, que tem a segunda maior população estrangeira, e Kobe também ofereceram treinamento para intérpretes e tradutores voluntários, para que possam ajudar estrangeiros em abrigos e escritórios governamentais.

De acordo com o governo da província de Kumamoto, na ilha de Kyushu, mesmo alguns residentes estrangeiros de longa data tiveram problemas quando dois poderosos terremotos com magnitude de 6,5 e 7,3 atingiram a região, porque não entendiam algumas palavras japonesas como “suprimento de água” e “réplica.”

Mas o apoio a não falantes de japonês ainda é insuficiente na região de Kyushu-Okinawa, que inclui Kumamoto.

Uma pesquisa, separada, realizada em 10 cidades da região com um grande número de residentes estrangeiros, mostrou apenas duas cidades – Oita e Miyazaki – que formularam algum tipo de diretriz de emergência para estrangeiros.

Em suas diretrizes, Oita deve fazer upload de informações sobre desastres em vários idiomas, em seu site, enquanto Miyazaki usará ilustrações em alguns casos, para ajudar a comunicar informações essenciais para estrangeiros.

“Estamos discutindo uma atualização para o nosso manual, após o desastre do terremoto em Kumamoto”, disse um funcionário de Oita, cujas diretrizes foram formuladas antes dos tremores de abril passado.

Há um reconhecimento, inadequado, entre os governos, de que os estrangeiros são contribuintes e residentes, disse Shizuyo Yoshitomi, professor da Universidade de Estudos Estrangeiros de Nagoya.

“O reconhecimento abrangente de residentes com origens diversas levaria à construção de cidades que são resistentes a desastres”, disse Yoshitomi.